Voltei de um sono profundo...despertai, estou finalmente livre...ser�?...se sim, ainda n?o me sinto como tal!
Um abraço especial todos os seres humanos, e só para os humanos, excluiu-se todos aqueles que pelas suas acções violentas de uma forma ou de outra tenham posto em causa a própria humanidade do individuo, seja na sua forma de existência física ou numa forma que só de si também ela seja pacífica, partindo do principio que um ser humano na verdadeira acepção da palavra seja pacífico, seja como for acredito que sim, desde que haja em conformidade com o seu pequeno "mundo" e meio ambiente, naquilo que descrevo como uma perfeita sintonia e harmoniosa existência.Já não escrevia a muito tempo, tenha estado num estado como que “semi” adormecido, escrevendo sem escrever, como quem escreve mas não publica! Não me parece que os meu pensamentos, apesar de sublimes e nada confusos, pareçam interessar alguém, não me parece que existam seres da minha estirpe, somos poucos, quase extintos, mas antes assim, quem precisa de seres como nós?
Nestes tempos em que estive "offline" aconteceram-me tantas coisas, e só são coisas porque são caricatas, porque se não se tivessem passado coisas caricatas e únicas pela forma como aconteceram, estas já não eram "coisas"!
Aconteceu algo que apesar de não demonstra, daquelas coisas que reprimimos ate ao fundo do nosso ser, onde depositamos as coisas que não são coisas, que não deveriam ocorrer, a não ser na televisão para gládio dos telespectadores sedentos de coisas.
Ia eu a caminho de algo, quando me deparei com uma senhora a chorar convulsivamente, de referir que não se avistava ninguém num raio de um kilometro apesar de estarmos a uns dois kilometros do centro da cidade. A senhora entrepelou-me, eu estranhei, "ajude-me" disse ela, eu olhei incrédulo, "não me atrevo" disse ela, eu soltei um "que posso fazer", se sabia não o tinha soltado, ela entre soluços e lágrimas comunica-me que o seu marido esta inconsciente a alguns metros de nós e que não sabe o que fazer, pede-me ajuda para que o levante...fiquei petrificado, o medo invadiu o meu ser, sem saber porque, num dia que me parecia vulgar, deparei-me com a morte, instintivamente peguei no telemóvel, esse instrumento que ate há algum tempo abominava, marquei o 112, do outro lado ouvi um ensurdecedor "boa tarde, em que posso ajudar?" calmamente disse-lhe que se tratava de um emergência médica, ele disse para esperar um pouco...eu esperei, entretanto a mulher desaparece-me do campo de vista, estremeci, "boa tarde, em que posso ajudar?" tornei a ouvir, era um enfermeiro do centro de triagem, comuniquei o local onde estávamos e tentei descrever o melhor que consegui o estado do individuo que se encontrava sem sentidos, ele disse-me num seco e calmo tom "coloque o senhor de deitado de lado...", que lado perguntei eu "...o lado esquerdo..." ouvi eu, e com muita relutância coloquei o homem de lado, sentia morte entre os meus esfriados dedos, coloquei muito devagar os dedos no pescoço do individuo de já avançada idade, não senti pulso, coloquei já quase petrificado a mão na boca...não respirava...paralisado, alcancei o telemóvel e telefonei novamente para o 112, disseram-me que já estavam nas imediações...ao ver a ambulância, no silencio afastei-me do já cadáver, mal começaram o "CPR" afastei-me...senti, não sei, fui a ultima pessoa que aquele homem terá visto, pensei eu cá para mim...afastei-me, não consigo lembrar o que me passou pela cabeça, não quero lembrar, há coisas que mais vale adiar, sim este é daqueles que não se transpõe, contornasse, é isso mesmo que vou fazer. Isto não aconteceu, fui uma falta ou lapso no espaço temporal, mas horas depois estranhamente tinha no meu telemóvel uma chamada efectuada para o 112, que tinha uma duração estranhíssima, 23 minutos...tempo esse que perdi, não me lembro...não quero, que fique com ele de bom grado.
Por hoje é tudo, estou demasiado perturbado para continuar, vou beber água...e com frio...

