CULPA, ESPERANÇA, MUDANÇA, FUTURO

Deixei-me de discursos intensamente preparados, deixei de lado o uso repetitivo de palavras em frases feitas, tais como esperança, mudança, culpa ou mesmo até de futuro…enfim resignei-me à muito apenas aos factos nus e crus da realidade em que existo.
O sentimento de culpa que sinto é uma espécie de prontidão pessoal para pagar, algo que sinto necessidade de compensar. É isso que sinto incessantemente, penso muitas vezes e pondero o seu significado na minha vida actual, é algo que me leva indubitavelmente a esperança de "melhores dias" como se diz popularmente e sabiamente.
O meu conceito de esperança, neste contexto específico, tem um valor determinante no meu desempenho, uma vez que afecta o meu pensamento, as minhas emoções e por conseguinte as minhas realizações. É uma espécie de orientação positiva para o mundo, de abertura mental para o futuro, e é inseparável da liberdade humana que sinto, uma vez que a minha escolha actual implica que existe um “algo” que tenho de preencher com acções, existe algo que complemento e me complementa.
Considero a esperança como o “forte motor” de encorajamento para determinado conjunto de acções que levo a cabo, e para continuar a andar, a crença de que algo de bom, que não está a acontecer no presente, se pode materializar no futuro. Parece complicado mas não é, pelos menos para mim.
Passo a explicar…é como uma disposição positiva para a experiência de coisas diferentes, marcando uma necessária abertura ao meio ambiente e envolvente, aos outros, a ti. Envolve um profundo desejo de experimentar, fazer escolhas, ser aventureiro e abrir assim o espírito à criatividade, permitindo-me assim arriscar soluções imaginativas para o que actualmente são dificuldades irresolúveis.
A esperança não situa a minha mente apenas num futuro bom, que desejo é certo, é mas sentida enquanto confiança na ajuda presente para o alcançar: sem esperança não há planeamento.
Articulando o meu passado, o presente e o futuro, a esperança pode fornecer-me uma certa continuidade, uma certa ordem, onde aparentemente reinava o caos. É uma forma de viver prospectivamente, compromete-me, em termos de objectivos, com o presente tendo um propósito de futuro.
Não se trata de um optimismo vazio. Pelo contrário, estar esperançoso, implica da minha parte uma reflexão crítica sobre as circunstâncias. Quando tenho uma visão de um futuro melhor, é porque sinto algum descontentamento na forma como vivo o presente, é da natureza humana procurar alcançar o infinito, sendo ele muitas vezes a felicidade.
Só que este descontentamento que sinto não pode ou não deve ser visto com cinismo ou fatalismo – que para mim são os grandes inimigos da esperança. O cinismo, porque nos conduz a uma crítica metódica indiscriminada; e o fatalismo, porque encobre as causas profundas do que não corre bem, alimentando estados depressivos e ansiedade generalizada, promovendo a aceitação do que é dado.
Dos sentimentos envolvidos na antecipação do meu futuro, a angustia, o medo, apenas e só a esperança é positiva. É libertadora.
É esta a minha tímida conclusão...sobre a minha realidade actual, no momento em que escrev estas linhas, é a verdade é o que sinto genuinamente.


2 Comments:
Não sabia que também tinhas um espaço, muito menos que era um espaço tão bem elaborado! Gostei.
* Beijo
(SusANa)
Ambicionar um futuro melhor não é crime, ter medo também não, as coisas são como são e só tu é que podes acreditar em ti e no que queres construir para ti, a partir desse momento, a esperança e o querer superam todos os sentimentos negativos que estão associados à nossa evolução. Assim sendo, e porque provavelmente já só um marroquino é que entende isto fico-me por aqui mas não penses que te livras assim de mim!!! Ill be back!!!
Abraço e be happy, life is too short...
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