Choro

Quando choro,
Choro pelos desgostos que já agarrei,
Choro por todas as vezes que já chorei,
E choro mais por todas aquelas em que não pude chorar...
Todas as cicatrizes reabrem e sagram em mim...
Tudo aquilo que me magoou um dia, fere-me novamente
Com uma verdade mascarada que mente
E, lágrima a lágrima, choro por todos aqueles que já perdi,
Por tudo aquilo de que fugi...
Liberta-se um gemido mudo, estrangulado,
Espalham-se estilhaços em todas as direcções,
Levantam-se preces e orações,
E, numa face estática, de olhar fixo e parado
Morre uma alma há muito posta de lado.
Ah, quando choro!...
Dor, prolongada ansiedade,
Acumulam as águas de todos os rios,
Que transbordam de sentimentos vazios,
E levam para parte nenhuma a saudade,
Sem destino nem maldade...
Deixo-me arrastar pela tormenta
Tropeço nos escombros, pedaços de vida,
Felicidade sumida,
E fica um vazio imenso que me alimenta
Um silêncio que me sustenta...
Quando choro,
Choro por aquilo que passou e pelo que aí vem,
Choro por todas as vezes que já chorei.
André do Carmo


1 Comments:
Não chores, lembra-te que amanha é um novo dia...e nao realmente acaba, apenas muda de direcçao.. Um beijo grande pro Sr. jumbo :)
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